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Sour Beer: o que são essas cervejas?

12 de abril de 2017
Cerveja Sour Beer

Já faz tempo que a febre das cervejas lupuladas se espalhou pelo Brasil e isso é inegável. São milhares de consumidores que viraram fãs incondicionais das cervejas que usam o lúpulo como a principal estrela das suas receitas, a exemplo das India Pale Ale (IPA). E apesar de todo o rebuliço que essas cervejas causaram por aqui, elas estão vendo o seu reinado ser incomodado por uma outra febre que se espalha com uma velocidade incrível: as Sour Beer, que  são cervejas ácidas, pouco amargas e muito refrescante, tendo aromas e sabores frutados em sua maioria.

As Sour Beer são muito comuns na Bélgica e são amplamente consumidas por lá. A cidade de Bruxelas, capital do país, é lar da mais icônica cervejaria a produzir cervejas ácidas, a Brasserie Cantillon, famosa pelas fermentações em tanques abertos. Mas não só esse tipo de cerveja pode ser considerado Sour, já que existem muitos outros estilos de cervejas que são marcantes por sua acidez, utilizando diferentes métodos de produção para deixarem elas azedas.

FERMENTAÇÃO EXPONTÂNEA OU CERVEJAS LAMBIC

A exemplo da Cantillon, existem várias outras cervejarias na Bélgica que fermentam suas cervejas em tanques abertos, as quais acabam passando por um processo conhecido como fermentação expontânea. Essas cervejas são chamadas de Lambic e possuem uma acidez acentuada devido à presença de bactérias que acabam caindo dentro dos tanques durante a sua fermentação. Geralmente as Lambic levam uma grande adição de frutas para atenuar um pouco a acidez e com isso acabam recebendo a denominação de Fruit Lambic.

Dentre as cervejas Lambic, existem aquelas que são maturadas em barris de madeira por vários anos e que depois são misturadas com lotes que passaram por um tempo de maturação menor. O resultado são cervejas com forte presença de aromas e sabores provenientes da madeira, aliados ao frescor das cervejas mais jovens. Tais cervejas são conhecidas como Geuze.

FLANDERS RED ALE

As Flanders Red Ale são cervejas produzidas em duas etapas, sendo a primeira por métodos tradicionais, da brassagem à maturação em tanques convencionais. Porém, após estarem prontas na primeira etapa, elas são refermentadas e maturadas em barris de carvalho, os quais possuem uma flora natural de bactérias láticas, acéticas e leveduras selvagens. Essa flora contribue para que a cerveja se torne ácida e com aromas marcantes de frutas vermelhas, madeira, vinho do porto, frutas-passa, notas acéticas e láticas.

São cervejas muito complexas, bastante ácidas e muito refrescantes.

Uma variação desse estilo são as Oud Bruin, que têm um processo de produção semelhante às Flanders Red Ale, mas sem passar por refermentação e maturação em barris de carvalho. Sua acidez surge após o longo tempo de maturação que ela passa nos tanques, além dos vários meses de maturação depois de engarrafadas e é proveniente da pequena presença de bactérias residuais encontradas nesses recipientes.

Sour Beer Rodenbach Grand Cru.

Rodenbach Grand Cru. Sour Beer clássica do norte da Bélgica.
foto: Divulgação.

CERVEJAS SALGADAS – GOSE

As cervejas Gose são um estilo muito antigo que havia quase desaparecido, tendo sido produzido durante séculos em pequenas quantidades, com receitas familiares passadas de geração em geração.

São tradicionais da região de Leipzieg, cidade alemã onde as fontes de água são bastante salobras, o que deixa a cerveja um pouco salgada, o que é bem diferente do que estamos acostumados a beber por aqui.

Elas são produzidas com maltes de cevada e trigo, sendo que muitas delas levam a adição de lactobacilos antes de sua primeira fermentação por leveduras. Sendo assim, tal processo as torna ácidas.

É comum que muitas delas levem sementes de coentro em sua maturação, dando um toque mais temperado ao aroma e sabor final.

Gose Sour Beer

Uma Sour Beer famosa por também ser salgada.
foto: Divulgação.

BERLINER WEISSE

Consideradas o Champanhe do Norte por Napoleão Bonaparte, as Berliner Weisse são cervejas de trigo que recebem adição de lactobacilos antes de sua fermentação.

Quando as tropas de Napoleão invadiram Berlim e se depararam com um cenário onde a produção de vinho era escassa, a alternativa encontrada pelo seu exército para suprir as suas necessidades etílicas foi se entregar às cervejas locais. Como as Berliner Weisse eram as mais produzidas na região, elas eram as mais disponíveis para o consumo. Porém, seu sabor ácido não agradava a todos e para aliviar um pouco a acidez, muitos começaram a adicionar xaropes de frutas e ervas, o que acontece até hoje.

Hoje em dia, a produção dessas cervejas é protegida geograficamente, sendo que elas só podem ser produzidas em Berlim, por cervejarias certificadas. Na prática, vemos um cenário diferente disso, onde muitas cervejarias produzem e comercializam Berliner Weisse sem nenhum respeito a essa regra.

Cerveja de trigo Berliner Weisse Sour Beer

foto: Divulgação.

LICHTENHAINER

Outro estilo histórico cuja produção estava quase extinta, mas que voltou à tona atraindo vários entusiastas nos últimos anos.

As Lichtenhainer são tradicionais da região de Lichtenhain, na Alemanha central. Seu sabor é marcado por notas lácticas, com leve acidez, muito semelhante às notas encontradas nas Berliner Weisse. Outra característica marcante são os aromas e sabores de defumação, provenientes do uso de maltes defumados em sua fabricação.

São feitas de malte de cevada e trigo e são bastante refrescantes, pouco amargas e leves, o que proporciona a elas um alto drinkability, inclusive pela sua graduação alcoólica que raramente ultrapassa os 4,5% ABV.

FRUIT BEER

Fruit Beer não é um estilo propriamente dito, mas uma categoria onde se encontram todas as cervejas que levam fruta em sua produção.

Muitas dessas cervejas nem mesmo são ácidas, mas é bem comum ver pessoas associando Fruit Beer às Sour Beer. Talvez isso aconteça pelo fato de muitas Lambic serem comercializadas como Fruit Beer, uma vez que existem vários rótulos que recebem adição de frutas como cereja, morango e framboesa, sendo que muitas dessas acabam apresentando um leve dulçor em seu sabor.

Algumas Fruit Beer nem mesmo são doces ou apresentam qualquer acidez, sendo extremamente secas, como é o caso da Banana Bread da cervejaria Wells.

Outras como as cervejas da linha Sour Me Not da brasileira Way Beer são bastante ácidas. Existem três rótulos dessa linha, cada um com adição de uma fruta diferente (acerola, morango e graviola). Sua acidez se deve principalmente pela adição de bactérias láticas na fermentação, porém, as próprias frutas contribuem para tal, apesar destas não conferirem nenhum dulçor às cervejas.

Sour Beer Sour me not

foto: Divulgação.

Contudo, existem Fruit Beers que têm sua acidez derivada apenas da presença de frutas ácidas, sem que haja nenhuma interferência de bactérias na fermentação, ou adição de algum outro ingrediente ácido. Esse é o caso da Julieta da cervejaria mineira Backer, que leva morangos em sua receita, conferindo à cerveja um equilíbrio entre o dulçor da fruta, o dulçor do malte e sua acidez.

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4 cervejas para você brindar com o seu amigo qualquer fase da vida

21 de julho de 2016
Different beers shot

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Uma relação é feita com duas pessoas, ao menos e fica melhor quando inserimos uma breja como elemento

É sabido que amigo de verdade é aquele que te acompanha na hora de fazer maldades, mas também te carrega, literalmente, quando você perde a mão na bebida e enfia o pé na jaca, ou mesmo coloca à disposição aquele ombro aconchegante quando bate a tristeza.

Separamos cinco rótulos de diferentes estilos para serem degustados em situações corriqueiras dentro da amizade. Confira!

Aquela sexta-feira que você o seu amigo saem para fazer farra, pede uma cerveja marcante e ao mesmo tempo leve. Uma boa pedida é a Jambreiro Bâdil , uma American Brown Ale com aromas herbais e florais. E tem apenas 4,5% de ABV, quer dizer dá para beber bastante durante toda a noite e ficar bem alegre.

Para rebater a ressaca no dia seguinte ou mesmo lamentar os problemas cotidianos, a companhia ideal – além do amigo, claro, –  é a Invicta 1000 IBU. Trata-se de uma Imperial India Pale Ale, bem amarga, com 8% de ABV, não é necessário beber muito para voltar a ter aquele euforia proporcionada pelo álcool.

Amigo que é amigo, não precisa ter justificativa para beber, apenas vontade de jogar conversa fora. Aquela cerveja no meio da semana sempre tem seu lugar. Para fugir da rotina e ainda acordar bem para ir ao trabalho no dia seguinte, a melhor escolha é a Capitu Amber, porque tem ótimo drinkabillity, corpo leve  e 6,5% de ABV. Não serão necessárias muitas garrafas para deixar de lado os problemas do cotidiano.

Para rebater as tristezas dessa vida, nada melhor que uma Dum Petroleum, uma Imperial Stout. Com notas aromáticas bem marcantes de café e chocolate meio amargo, vindo dos maltes tostados e adição de cacau belga.  O rótulo possui 12% de ABV e adição de cacau e aveia. O amargor da cerveja harmoniza muito bem com uma sobremesa, principalmente, se estiver acompanhada com sorvete de baunilha. Combinação ideal para curar qualquer fossa.

Cerveja, Curiosidades

A origem do St Patrick’s Day

11 de março de 2016
Como a cerveja artesanal foi inserida nas comemorações de São Patrício

A festa do padroeiro da Irlanda, já faz parte do calendário de diversos países, inclusive do Brasil

Nascido na Grã- Bretanha, St Patrick’s também conhecido como São Patrício, era filho de família rica, influente e diácono cristão. Aos foi 16 anos, ele foi sequestrado por piratas irlandeses e forçado a trabalhar como pastor, durante seis anos,  em County Mayo, na Irlanda.

São Patrício conseguiu articular sua fuga e retornar à Grã-Bretanha. Ele regressou com o sonho de aprender o cristianismo e difundir a religião na Irlanda. Após estudar durante 15 anos, ele se tornou sacerdote e adotou o nome Patrick Em meados de 432 dC, ele voltou à Irlanda e iniciou o processo de conversão da população, que até então era politeísta.  Neste período, surgiu o trevo que começou a ser usado para explicar a Santíssima Trindade (o Pai, o Filho e o Espirito Santo).

Depois de passar 30 anos doutrinando, Patrício faleceu no dia  17 de março de 461 d.C.  Após o acontecimento, os irlandeses decidiram realizar confraternizações no dia de sua morte para homenagear o sacerdote.  No ínicio, a celebração começou tímida, era somente um banquete. Apenas, em 1996, a data tornou-se feriado na Irlanda.

Atualmente, a festa é realizada em diversos países com a língua inglesa e também na América Latina, como Argentina e Brasil. Para celebrar, os adeptos usam roupas verdes e o trevo como amuleto da sorte. Durante o dia, os irlandeses costumam fantasiar-se para participar de desfiles, fogos, acrobacias e shows. A noite a festa continua nos pubs com programação especial, inclusive com desconto nas bebidas.

CHOPE VERDE

A cerveja faz parte da comemorção, sem dúvida. O chope verde foi criado exclusivamente para o St Patrick’s Day. É adicionada uma dose de menta à bebida para obter a coloração. Durante a festa, o consumo mundial da Guinness, quase triplica de 5,5 para 13 milhões de litros. Uma média 150 litros por segundo.

Além da tradicional cerveja irlandesa, a comemoração conta com aBeamish, Irish Stout, Greene King e Wexford- Murphy’s  Red Ale, Harp, Smithwick, entre outras.

Também fazem parte da festa outras bebidas, como o whiskey irlandês.

 

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Copos de Cerveja

9 de março de 2016
Different beers shot
A maioria dos apaixonados por cerveja costuma transferir sua paixão para quase tudo que está relacionado à nobre bebida. Latas, garrafas, rótulos, camisetas, bonés, porta-copos, tampinhas, tudo serve muito bem a um bom colecionismo cervejeiro.
Não é diferente quando o assunto é a ferramenta principal que temos para degustar o precioso líquido: o copo de cerveja. Fabricados em todos os desenhos e capacidades, os copos de cerveja acabam se tornando objetos de desejo de muitos apreciadores que, não raro, enchem sua casa de tulipas, pints e canecas de todos os modelos. Aí haja armário para guardar tantos copos.
Eu sou um desses aficionados. Tenho muito menos copos do que gostaria, como sempre acontece com todo colecionador inveterado, mas tive que lançar mão de um armário exclusivo para eles e até mesmo de uma cristaleira, onde coloco os copos mais legais e os que uso com mais frequência. Com isto tenho sempre à mão essas estimadas peças de vidro que acondicionam minha bebida preferida.
Mas quem ainda não foi acometido pelo vício do colecionismo de copos de cerveja pode estar se perguntando, mas por que eles são assim tão fundamentais para quem gosta de cerveja? A resposta é simples: o copo de cerveja ajuda a evidenciar e potencializar os atributos da cerveja que você está degustando. Ele influencia na formação e retenção da espuma, na retenção do gás carbônico, na apreciação visual da cerveja, na volatilização dos aromas e no conforto em se beber. O copo mais apropriado para determinada cerveja é aquele que permite que todos seus maravilhosos atributos venham à tona e sejam percebidos em sua plenitude pelo degustador.
Para isto, vários desenhos de copos procuram potencializar estes atributos desejados ou minimizar os indesejados em uma determinada cerveja. Curvaturas, tamanho da boca, espessura do vidro, presença de haste ou pé, tudo é pensado para intensificar esta ou aquela característica fundamental da cerveja que está sendo bebida.
Mas quais são essas características fundamentais que um bom copo de cerveja deve ter? Antes de tudo, ele deve ser transparente, e preferencialmente de vidro ou cristal, o que permite a apreciação visual da cerveja sem interferências. Além disso, o vidro e o cristal são materiais inertes, que não vão interferir no aroma e sabor da cerveja, diferentemente de materiais como o plástico, acrílico, estanho, alumínio ou madeira. Copo limpo, transparente, sem cheiro e sem resíduos é fundamental para não prejudicar a degustação da cerveja.
Além da não interferência na aparência, aromas e sabores da cerveja, é desejável que o copo de cerveja potencialize esses atributos originais na cerveja que está sendo bebida. Uma cerveja muito aromática, como a tripel, por exemplo, é mais bem degustada em um copo de boca larga, onde os aromas possam se desprender da cerveja com maior facilidade e serem mais bem percebidos pelo degustador. Da mesma forma, em um estilo como a pilsen, onde a carbonatação tem papel importante no perfil sensorial da cerveja, é desejável que o copo promova uma maior retenção da espuma, o que ajuda a reter também o gás carbônico.
Ou seja, nada é por acaso quando o assunto é o copo adequado para cada estilo de cerveja. É por isso que existem tantos modelos diferentes. Aqui vamos falar um pouco mais sobre os modelos mais comuns e porque eles são os mais adequados para cada estilo de cerveja.
1 – Pilsener
Como o próprio nome indica, é o copo apropriado para as pilsens. De capacidade não muito grande (em média 200 a 300ml), é uma taça alta e estreita, o que faz com que a carbonatação da cerveja seja retida e o colarinho persista por mais tempo. O volume pequeno e a haste (pé) evitam que a cerveja esquente rapidamente.
2 – TulipaEsta taça é o que eu considero o mais próximo do que poderíamos chamar de copo coringa. Próprio para as cervejas da escola belga, acomoda bem uma grande variedade de estilos de cerveja, pelo fato do seu corpo arredondado e sua boca que se converge (fecha) e depois diverge (abre) ajudar na formação de colarinhos densos e na volatilização dos aromas da cerveja. É ainda um copo confortável à boca e que facilita o giro do líquido para uma melhor análise dos aromas.
3 – Conhaque ou SnifterA taça de conhaque não é icônica apenas para se degustar o destilado de uva francês. É igualmente emblemático degustar uma bela russian imperial stout ou uma rica barley wine neste copo de desenho tão peculiar. Cervejas alcoólicas e de grande complexidade (se passaram por madeira melhor ainda!) se favorecem da concentração de aromas que este copo promove.
4 – Cálice ou GobletLevante a mão quem nunca se sentiu um pouco mais santo ou nobre ao degustar uma bela dubbel ou tripel trapista em um cálice desses, tal qual um monge ou um rei medieval… grande e de boca larga, esse tipo de cálice, que mais lembra o Santo Graal, é prefeito para acomodar as aromáticas e espumantes cervejas de abadia belgas.
5 – PintO copo símbolo da escola inglesa nasceu da praticidade: praticamente reto, alto e de boca larga, é o copo perfeito para os pubs, que pode ser empilhado, facilmente lavado e é bastante resistente. O nome vem da medida de volume, que vale 568ml no Reino Unido e 473ml nos Estados Unidos. Beba de bitters, pale ales e mild ales à porters e stouts neles.
6 – Caldereta ou ShakerFalando em praticidade, este é o principal atributo da caldereta. Este copo sem curvaturas pode vir de vários tamanhos, e geralmente é utilizado para praticamente qualquer estilo de cerveja. Não é um copo que favorece muito os aromas e sabores da cerveja, mas tem seus fãs.
7 – WeizenEste é um belo exemplo de copo desenhado especialmente para um estilo de cerveja específico, as cervejas de trigo, principalmente as weissbiers alemãs. O copo, geralmente de meio litro, comporta todo o conteúdo da garrafa, para que o fermento que fica no fundo dela seja incorporado ao conteúdo do copo, naquele ritual que todo mundo já conhece. Inicialmente estreito para reter a alta quantidade de gás carbônico, ele se abre no topo para acomodar a espuma abundante e ajudar a volatilizar os aromas típicos de banana e cravo, entre outros.
8 – FluteA taça de champanhe é outro exemplo de copo de vinho que se adaptou perfeitamente à degustação de certos estilos de cerveja, em especial as fruit beers, lambics de fruta e a própria bière de champagne.
9 – Caneca ou Mass, Mug ou SteinOutro copo onde as palavras de ordem são resistência, capacidade de grandes volumes e total ausência de frescura. A caneca tem a enorme vantagem de vir com alça, o que ajuda muito, principalmente quando se está bebendo em pé, no pub ou nas oktoberfests da vida. Da dimpled mug clássica dos pubs britânicos ao querido mass de um litro alemão, passando por aquela caneca de cerâmica do 1º Churrascão dos Ferroviários de 1971 do seu pai, as canecas são sempre um ótimo copo para se carregar por aí.
Na próxima coluna vamos falar mais sobre copos que foram criados especialmente para o consumo de cerveja, curiosidades e cuidados que você deve ter para utilizar melhor os seus copos. Até lá e um brinde!

Texto por Rodrigo Lemos publicado no Bom de Copo

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O Miode, o Tejo, o Xangue: A bebida alcóolica chamada de “Hidromel” no Brasil

5 de março de 2016
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Possui diversas variações e estilos, que também podem ser adicionados de frutos, ervas, especiarias e raízes. A diferença do miode para outras bebidas fermentadas é a matéria prima base, que tem o mel de abelhas como a principal fonte de açúcares. A cerveja por exemplo é uma bebida fermentada de cereais maltados de cevada, trigo, centeio, entre outros. Já o vinho é uma bebida fermentada de uvas, mas também pode ser feito de qualquer outro fruto ou outras fontes de amido convertidas em açúcares fermentáveis. Curiosamente, no Brasil e em Portugual, o miode é chamado de “hidromel”. A razão disso é que os nossos patrícios lusitanos ao traduzirem a palavra do latim e do grego tomaram equivocadamente como referência o estado da bebida diluída antes da fermentação, que em grego arcaico denominava-se ?δωρμ?λι (Hudormeli) evoluindo para Hydromel- Termo que foi adotado nas cidades-estado da Grécia e depois no Império Romano, culturas  que influenciaram consideravalmente os países latinos e sua estrutura linguística. Nestas regiões o ‘Hydromel’ fermentado era chamado ν?κταρ (Nektar), Μ?θε (Methe), Μ?λικαθος (Melikathos) e Tem?tvm (Temetum). Algumas referências históricas e interpretações tardias sobre a bebida  indicam uma tradução equivocada da palavra Hydromel do latim para demais línguas latinas, tais como o italiano, o espanhol e mesmo o francês, cunhando um nome que não designava tal bebida no passado.

Daí sugiro o nome miode. O que leva a pergunta: “Mas Daniel, então de onde vem essa palavra “miode” ?” Na verdade, ela não existe na língua portuguesa, então a importei do seu termo original da raiz linguística indo-européia e “aportuguesei” o nome. Poderia ser também Tejo ou Xangue, pelas origens do leste africano e sino-asiáticas, mas como estamos no ocidente, faz mais sentido dar o nome à bebida ao seu termo e signifacado mais próximos de sua origem e de onde nosso idioma veio. A partir dos termos meduz (proto-germânico), miedus (balto-eslávico), medhu (indo-ariano), mjoed (germânico setentrional), methe (proto-grego) e toda sua prevalecência nas regiões produtores dessa bebida, fica bem mais coerente adotar um nome com essa raiz.

A origem dos fermentados de mel se perde na história e não é atribuída a uma civilização específica nem a uma determinada população isolada. Desde o Paleolítico Superior , em períodos diferentes da história, diversas populações ao redor do mundo coletaram o mel, armazenaram, diluiram e experimentaram a embriaguez proveniente dessas bebidas, utilizando tecnologias e utensílios das mais variadas formas. A razão disso é simples: O mel de abelhas, assim como os frutos, são as fontes de açúares disponíveis na natureza com maior facilidade de obtenção, sem que precise passar por plantios extensivos e processos enzimáticos e de sacarificação, pois já possui  grande concentração de frutose, glicose, maltose e sacarose, todos açúcares fermentáveis.

As regiões do mundo que se destacaram pela produção de fermentados primitivos de mel foram a África Oriental (Etiópia, Quênia, Tanzânia, Eritréia, Uganda e Sudão), o Oriente Médio (Egito, Iraque, Irã, Paquistão e região do Levante), a Ásia (China e Índia), a Meso-américa (Guatemala, El Salvador e sul do México),  a região Baltoeslávica (Polônia, Lituânia, Letônia, Rússia, Ucrânia e Bielo-rússia), os países germânicos (Alemanha, Áustria, Suíça, Dinamarca, Noruega e Suécia) e os países celtas (Irlanda, Gales, parte do Reino Unido e Bretanha na França).

 

A difusão e a evolução dos fermentados de mel entre todas civilizações e povos como bebida inebriante foi tomando proporções maiores com as grandes migrações humanas após a última Era Glacial, com o fim do nomadismo, com guerras e disputas territoriais, com o início da agricultura e domesticação de animais, com a experimentação e com a adaptação de novas tecnologias de vasilhames e ferramentais. As regiões do mundo que melhor trabalharam essa experimentação foram os países bálticos, eslavos e germânicos, onde a bebida alcançou seu refinamento máximo e um padrão de qualidade que virou referência para tudo que é feito e reproduzido nos dias de hoje. Os fermentados de mel nessas regiões, que devido ao clima produzem mel somente uma vez ao ano, nem sempre estavam disponíveis para as classes de homens livres e escravos, mas alcançou as cortes dos reis e nobres como a bebida preferida de celebrações, rituais e cerimônias. Pela fonte de matéria prima escassa e sazonal, a bebida foi se tornando desejada e nobre, como um verdadeiro “Néctar dos Deuses”.

No Brasil, de poucos anos para cá, essa bebida ficou conhecida e foi difundida em virtude de filmes como Robin Hood, Beowulf, Harry Potter, entre outros, que apresentaram-na à platéia como uma bebida do cotidiano medieval apreciada em chifres. Esta também é mais uma incoerência sobre esse fermentado de mel. Os chifres não eram os recipientes principais e mais abundantes para a apreciação dessa bebida, pois se restringiam a guerreiros de estirpe elevada e aos nobres. Quando disponível para classes não abastadas, a bebida era apreciada em pequenas tigelas de madeira ou argila, chamadas de máza ou mazer e eram bem mais comuns que os chifres propagandiados erronemente pela mídia.
Por ser uma das bebidas mais nobres do mundo o miode se sustenta por si próprio e não precisa de muitas apresentações. Pela facilidade e pela otimização da produção de mel nos dias de hoje principalmente em países tropicais, é possível fazêla e obtê-la com mais frequência, o que nos garante felicidade e apreço de algo que acompanhou a história e a evolução do ser humano desde seus dias primordiais.
Um brinde!
Wassail! Skål ogh Odhinn med Oss!
Um antigo Mjødhall na Noruega da Era Viquingue (Séc. VIII a XI). O Salão do Miode, onde os guerrerios celebravam suas conquistas, vitórias e reuniões cerimoniais.

Miodes, fermentados de mel produzidos pela Smedgård desde 2007.

 

Texto por Daniel Gontijo Draghenvaard publicado no Bom de Copo

Cerveja, Curiosidades

Como a Guinness influenciou a 2ª Guerra Mundial

2 de março de 2016
Entre uma batalha e outra, os combatentes ingleses bebiam a cerveja

A cervejaria irlandesa foi envolvida e salvou o país de um dos maiores conflitos do mundo 

Nascida em 1759, em Dublin na Irlanda, a cerveja surgiu após  Arthur Guinness, o fundador da marca, alugar uma fábrica no centro da cidade. Porém, pouca gente sabe como a cerveja salvou o país durante a  Segunda Guerra Mundial. Na época, a marca tinha 152 anos de existência e a bebida já era apreciada por grande parte da Europa.

Durante o conflito, a Irlanda decidiu permanecer neutra e não entrar na briga que atormentava o resto do mundo e acontecia praticamente no quintal do país.  Todas as atenções estavam voltadas para disputa entre Aliados (França, Grã- Bretanha, China, Estados Unidos e União Soviética) e Potências do Eixo ( Alemanha, Japão e Itália). Contudo, entre 1940 e 1941, a Inglaterra não ficou contente com a falta de posicionamento do país da Europa Continental. Apesar de não enviar os soldados para o embate, a Irlanda mandava a amada cerveja para as tropas.

Claro, que o buraco era mais embaixo, a Inglaterra tinha o objetivo de forçar o posicionamento para ter acesso aos portos irlandeses, para conseguir essa façanha, o primeiro ministro do Reino Unido, Winston Churchill cortou o envio de suprimentos ao país. Foram reduzidas para zero, mais de seis milhões de toneladas de ração para animais, 100 mil toneladas de fertilizantes e até a gasolina. Enquanto, a população estava com fome, a economia continuava em recessão e a Alemanha atacava.

A única coisa que a Irlanda tinha estocado no meio deste cenário caótico era a emblemática Guinness. Para combater à crise da falta de energia e alimentos, o governo restringiu o uso de malte de cevada e proibiu a exportação de cerveja. O trigo era utilizado para a produção de pães para os pobres.

Ao cortar a bebida, o pequeno país europeu interferiu diretamente na guerra, porque a cerveja era responsável por sanar a sede e elevar a autoestima dos combatentes ingleses.  Logo, os soldados começaram a reclamar a falta da Guinness, especificamente e a confusão começou.  Para conter a crise, os governos britânicos e irlandês fizeram um acordo às presas, onde a Grã- Bretanha forneceria trigo em troca de Guinness.

Com esse truque na manga, a Irlanda conseguiu retomar a importação de carvão, após alegar insuficiência de energia para produção da cerveja e assim, a dinâmica de negociação se repetiu.  E com o barril de cerveja na cartola, a Irlanda manteve-se neutra até o final da Segunda Guerra Mundial, conseguiu alimentar a sua população e continuou a produção da nossa queridinha, Guinness.

Sobre a Guinness

A cervejaria surgiu em 1759, quando Arthur Guinness alugou um galpão no centro de Dublin, na Irlanda, no começo a marca produzia cerveja nos estilos Ale e Porter, com o tempo parou de produzir a Ale. Atualmente, a cerveja é produzida em 60 países e comercializada em 120 nacionalidades. É uma das bebidas mais consumidas do mundo, está presente em 170 mil pubs, cerca de 10 milhões de pints são consumidos diariamente.

A cervejaria é considerada a sexta maior do mundo e  também  detentora das marcas  Harp, Kilkenny, Red Strio, Kaliber  e participante das fusões com cervejarias locais ao redor do mundo.

Referência: A História Bizarra da Segunda Guerra Mundial, Otávio Cohen, 2015.

Cerveja

9 dicas para comprar cerveja artesanal

1 de março de 2016
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Após apresentar alguns erros comuns ao comprar cervejas artesanais, agora é a vez de dar algumas dicas. Com essa enorme variedade de rótulos e estilos, algo que ajude a guiar a escolha é sempre bem-vindo. O importante é sempre buscar a melhor experiência com a sua cerveja. Seguem as nove dicas:

1) Fique de olho na validade…

Diversos estilos de cerveja, geralmente os mais delicados (Vienna lager, Bohemian Pilsener) ou Lupulados (India Pale Ale, American Pale Ale), sofrem com a ação do tempo por deixarem mais perceptíveis as alterações ocorridas. Nesses casos, o ideal é degustar as cervejas mais frescas, dentro do possível. Daí que vem o ditado: “A melhor cerveja é bebida vendo a chaminé da fábrica”. Para tomar as cervejas mais frescas procure as cervejarias locais. Da região que você mora ou que está visitando. Além de ter uma ótima experiência, ainda ajuda os pequenos produtores.

2) …mas nem tanto

Estilos mais complexos e, geralmente, mais alcoólicos evoluem com o tempo. Por exemplo, grande parte dos estilos belgas, Russian Imperial Stout, Barley Wine, Old Ale, etc. Algumas cervejas têm seu ápice depois dos seus prazos de validade, que são requisito legal para venda. Interessante também tomar a mesma cerveja de lotes ou anos de fabricação diferentes. Esse tipo de degustação se chama degustação vertical. Requer paciência para guardar garrafas por um período ou encontrar garrafas mais antigas mas a experiência é indescritível.

3) Não tenha pressa para comprar, consulte fontes de informação

Mesmo quando estiver de frente com a prateleira, se o local não tiver um sommelier disponível, use sua internet móvel ou wi-fi e consulte pela internet. Há alguns bons sites onde a informação é confiável e disponível, porém não se prenda às notas dadas para as cervejas. Leia as impressões de aroma e gosto das pessoas que enviam suas avaliações e veja se casam com o que você procura ou que você goste. O site Price Beer (www.pricebeer.com.br) têm uma ferramenta interessante de solicitação de ajuda de um sommelier para a escolha de sua cerveja. Se procura algo mais rápido, ótimos sites de consulta são o Rate Beer (www.ratebeer.com), o Beer Advocate (www.beeradvocate.com) e o brasileiro Brejas (www.brejas.com.br). Os dois primeiros ainda contam com aplicativos para algumas plataformas.

4) Cerveja cara não é sinônimo de cerveja que te agrada

Um produto mais caro geralmente passa a impressão de maior qualidade e, indiretamente, que deve ser apreciado por qualquer pessoa. Esta percepção não é precisa para a maioria dos produtos e, para a cerveja, é quase inválida. A cerveja que atende seu gosto não necessariamente será a mais cara da loja, por vezes, nem a mais cara daquele estilo escolhido. Evite comprar uma cerveja apenas pelo preço, mesmo que seja para fazer um agrado a outra pessoa ou até a você mesmo. O tiro pode sair pela culatra.

5) As cervejas deveriam ser sempre iguais mas…

Com exceção das macrocervejarias onde variações são imperceptíveis, é possível haver variação entre os lotes de cervejas das pequenas e microcervejarias. Isso não é desleixo da cervejaria ou do cervejeiro que lá trabalha, mas é possível de acontecer por diversos motivos. Portanto, se você já provou uma cerveja que não te agradou muito ou até uma boa cerveja que na repetição decepcionou, dê uma segunda chance a ela. Você pode se surpreender com o resultado ou perder a oportunidade de tomar uma boa cerveja, se não tentar.

6) Leia atentamente os rótulos

As cervejarias artesanais geralmente tem um cuidado especial com o rótulo, porque ele é o principal chamariz para a maior parte do público escolher degustar o produto. Por isso, é comum trazerem muitas informações interessantes sobre a cerveja. Nível de amargor, sensações sensoriais (por exemplo, aromas e gostos), ingredientes adicionados à cerveja, sugestões de harmonização, etc. Você pode descobrir uma ótima cerveja que vai casar perfeitamente com seu gosto ou com o momento que pretende tomá-la.

7) Compre com amigos

Seja para comprar uma caixa de uma mesma cerveja com desconto ou cada um comprar uma cerveja diferente e todos terem a chance de provar todas. Todos ganham desta forma sendo pagando mais barato ou provando diversos rótulos diferentes e, de quebra, o aproxima dos amigos cervejeiros. Afinal, a melhor cerveja é aquela compartilhada com bons amigos.

8) Todos estão tomando então devo gostar também

Nem sempre uma cerveja que agrada o gosto da maioria das pessoas (ou da maioria dos seus amigos, pelo menos) será a que você gostará. Provar de tudo para entender o que te agrada é necessário, mas não se force a gostar apenas porque todos gostam e atestam que é uma cerveja de ótima qualidade. Seu paladar pode se sentir mais agraciado com sabores diferentes como uma boa Gueuze, cervejas ácidas que geralmente não são as favoritas da grande maioria dos apreciadores.

9) Vá a eventos cervejeiros

Nos eventos cervejeiros, desde os maiores até os menores e regionais, é possível encontrar uma grande variedade de rótulos, inclusive algumas novidades antes do lançamento oficial ou cervejas sazonais. Geralmente, nos eventos, os rótulos nacionais  são vendidas pelas próprias cervejarias. Isso resulta em preços atrativos,  além de cervejas mais frescas. Também é comum as marcas oferecerem uma pequena prova para você degustar antes de comprar um copo. Lembre-se que isso não é uma obrigatoriedade, mas uma cortesia de algumas cervejarias.
O que está esperando para comprar sua próxima cerveja? Certamente terá uma ótima experiência depois dessas dicas.

Fonte: Bom de Copo

Cerveja, E-commerce, Mercado, Price Beer

Price Beer: ferramenta compara os preços das cervejas na Internet

22 de fevereiro de 2016
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Price Beer foi desenvolvido para ajudar os amantes do malte. O site reúne cervejas, livros, camisetas, copos, kits e acessórios que englobam o mercado, além de disponibilizar sommeliers para ajudar o cervejeiro a encontrar o rótulo ou estilo mais adequado para o paladar.

Atualmente, a ferramenta possui cerca de 300 mil pageviews por mês e ainda reúne mais de 15 mil produtos diferentes, em 64 e-commerces. Em breve, a plataforma estará disponível como aplicativo nas versões Android e IOS.

O idealizador do projeto também é responsável pelo portal Bom de Copo, Diego Rodriguez. “Muitas pessoas me contavam sobre o problema de comprar cervejas pela Internet. Atualmente, existem vários e-commerces, mas é muito trabalhoso encontrar o melhor preço. Então, eu percebi que tinha uma boa oportunidade de negócio e resolvi testar esta ideia”, conta Diego.

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Além de ajudar no preço, o buscador possibilita a compra de cervejas que não chegam a todos os pontos de vendas do Brasil. Estima-se que existam mais de 1,5 mil rótulos brasileiros,entre as 200 microcervejarias registradas no País, segundo Associação Brasileira de Bebidas. De acordo com a instituição, as empresas possuem dificuldades para vender em todo território nacional, porém, com o Price Beer é possível adquirir rótulos inacessíveis até então, visto que a plataforma insere somente e-commerces que realizam entregas em todo o País.

Para colocar a ideia em prática, o idealizador do projeto desenvolveu um robô que encontrou todas as informações nesses sites e as alocou na plataforma. O primeiro protótipo foi validado por amigos e por algumas pessoas que atuam no mercado. Assim foi criada uma versão beta, disponibilizada gratuitamente para todos testarem.

De acordo com os responsáveis, a plataforma terá mais funcionalidades. “Estamos trabalhando todos os dias para implementar as novas ferramentas. Os usuários cadastrados terão acesso as nossas novidades em primeira mão”, afirma Diego.