Curiosidades

O que são cervejas Trapistas?

23 de janeiro de 2018
foto: Cervejas Trapistas Chimay, Divulgação.

Muito se fala das cervejas Trapistas, termo que não é nenhuma novidade para os apaixonados por cervejas. Mesmo os iniciantes nesse universo se deparam vez por outra com esse nome que muitas vezes é usado como sinônimo de qualidade. O fato é que toda mística que envolve as cervejas Trapistas não é derivada de mitos e sim de muita tradição, cuidado e, principalmente, técnica.

Cervejas Trapistas

foto: Divulgação.

Significado de Trapistas

As cervejas trapistas são produzidas em alguns mosteiros da Ordem Trapista, ou Ordem Cistercienses Reformados de Estrita Observância, que é uma congregação derivada da Ordem de Císter e segue a regra de São Bento “ora et labora” (orar e trabalhar).  O nome trapista é derivado do mosteiro de Notre-Dame de La Trappe, na Normandia, que foi reconstruído no final do século XIX.

Nem todos os mosteiros trapistas são produtores de cerveja, mas todos produzem alguma coisa que lhes dê subsistência, como produtos agrícolas, pães, biscoitos e queijos. De todos os mais de 170 mosteiros trapistas existentes no mundo, apenas 12 produzem cerveja, dos quais 11 estão localizados na Europa, sendo mais da metade na Bélgica e 1 nos Estados Unidos.

Monges Trapistas da cervejaria americana Spencer.

Monges trapistas supervisionando a produção das cervejas Spencer na Abadia de Abadia de St. Joseph

Cervejas de abadia

No início do século IX, muitos mosteiros fabricavam cerveja como um complemento alimentar para seus monges e, por ser líquido, era o um dos poucos alimentos que podiam ser ingeridos durante os longos períodos de jejum praticado por eles. Parte da produção também era oferecida aos peregrinos e penitentes que procuravam esses mosteiros, ou abadias.

Essa prática fez com que a cerveja ficasse conhecida como pão líquido, dando a ela um status de respeito nos mosteiros, bem como entre os fiéis. É por isso que vemos muitos rótulos de cervejas, principalmente europeias, fazendo menção a santos, templos ou algo que tenha alguma simbologia religiosa.

De forma geral, as cervejas de abadia são aquelas produzidas em templos católicos, independente da ordem seguida pelos monges que coordenam o local de produção. Os estilos Blonde, Dubel, Tripel, Strong Golden Ale e Dark Strong Ale são os mais comuns das cervejas consideradas de abadia.

Cerveja para subsistência e caridade

Muitas abadias conservaram sua longa tradição em produzir boas cervejas, a qual faz parte da realidade dos mosteiros/cervejarias trapistas, que são sustentados pelos seus artigos de produção própria. Como a ordem Trapista não busca enriquecimento, parte do lucro obtido com as vendas é destinada aos gastos com a vida no mosteiro, sendo o restante doado para instituições ou obras de caridade, quando há alguma sobra.

O uso do nome “trapista” é exclusivo desses mosteiros, o que foi instituido em 1962. Essa exclusividade é traduzida em um selo, o famoso selo de autenticidade Trapista, que tem por finalidade proteger e apoiar tais cervejarias. Para uma cerveja ser considerada Trapista, ela deve ser produzida em um mosteiro dessa ordem, seja pelos monges ou sob a supervisão deles, com a maior parte dos lucros sendo aplicada em inciativas que tenham fins sociais.

Selo de autenticidade das cervejas Trapistas

Selo de autenticidade das cervejas Trapistas

Cumprindo esses requisitos, que são rigidamente respeitados e fiscalizados, a cerveja recebe o direito de portar o selo trapista em suas garrafas e rótulos. Com isso, pode-se dizer que uma cerveja trapista é uma cerveja de abadia, mas nem todas as cervejas de abadia são trapistas.

Para os que têm o interesse de visitar essas cervejarias e experimentar localmente suas produções, muitas delas têm restaurantes e lojinhas vendendo produtos de fabricação própria, os quais não são apenas cervejas. Muitos desses mosteiros produzem, além de suas famosas cervejas, queijos, doces, pães e biscoitos.

Onde estão as 12 cervejarias Trapistas?

ÁUSTRIA:

Stift Engelszell (Abadia de Engelszell). Cidade: Engelhartszell

BÉLGICA:

Westmalle (Abadia Trapista de Westmalle). Cidade: Malle.

Westvleteren(Abadia de Saint-Sixte Sixtus). Cidade: Vleteren.

Chimay (Abadia de Scourmount). Cidade: Chimay.

Rochefort (Abadia de Notre-Dame de Saint-Rémy). Cidade: Rochefort.

Orval (Abadia de Notre-Dame d’Orval). Cidade: Florenville

Achel (Abadia de Notre-Dame de Saint-Benoît Achelse Kluis). Cidade: Hamont-Achel.

FRANÇA:

Mont des Cats (Abadia Sainte Marie du Mont des Cats). Cidade: Godewaersvelde

HOLANDA:

La Trappe (Abadia Onze-Lieve-Vrouw van Koningshoeven). Cidade: Berkel-Enschot

Zundert (Abadia Maria Toevlucht). Cidade: Zundert

ITÁLIA:

Tre Fontane Abbey (Abadia das Três Fontes). Cidade: Roma.

ESTADOS UNIDOS:

Spencer (Abadia de St. Joseph). Cidade: Spencer

O mosteiro das Trapistas da Engelszell

Mosteiro trapista de Engelszell – Áustria

Trapistas no Brasil

No Brasil existem poucos mosteiros dessa ordem, os quais se dedicam à produção agrícola, à produção de pães e biscoitos. O jornalista e beer sommelier, Marcio Beck, escreveu um artigo (link AQUI) em seu blog “A Volta ao Mundo em 700 Cervejas” elucidando os motivos pelos quais os mosteiros Trapistas brasileiros dificilmente se dedicarão à produção de cerveja no futuro. Vale a pena a leitura.


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