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Cerveja

Sour Beer: o que são essas cervejas?

12 de abril de 2017
Cerveja Sour Beer

Já faz tempo que a febre das cervejas lupuladas se espalhou pelo Brasil e isso é inegável. São milhares de consumidores que viraram fãs incondicionais das cervejas que usam o lúpulo como a principal estrela das suas receitas, a exemplo das India Pale Ale (IPA). E apesar de todo o rebuliço que essas cervejas causaram por aqui, elas estão vendo o seu reinado ser incomodado por uma outra febre que se espalha com uma velocidade incrível: as Sour Beer, que  são cervejas ácidas, pouco amargas e muito refrescante, tendo aromas e sabores frutados em sua maioria.

As Sour Beer são muito comuns na Bélgica e são amplamente consumidas por lá. A cidade de Bruxelas, capital do país, é lar da mais icônica cervejaria a produzir cervejas ácidas, a Brasserie Cantillon, famosa pelas fermentações em tanques abertos. Mas não só esse tipo de cerveja pode ser considerado Sour, já que existem muitos outros estilos de cervejas que são marcantes por sua acidez, utilizando diferentes métodos de produção para deixarem elas azedas.

FERMENTAÇÃO ESPONTÂNEA OU CERVEJAS LAMBIC

A exemplo da Cantillon, existem várias outras cervejarias na Bélgica que fermentam suas cervejas em tanques abertos, as quais acabam passando por um processo conhecido como fermentação espontânea. Essas cervejas são chamadas de Lambic e possuem uma acidez acentuada devido à presença de bactérias que acabam caindo dentro dos tanques durante a sua fermentação. Geralmente as Lambic levam uma grande adição de frutas para atenuar um pouco a acidez e com isso acabam recebendo a denominação de Fruit Lambic.

Dentre as cervejas Lambic, existem aquelas que são maturadas em barris de madeira por vários anos e que depois são misturadas com lotes que passaram por um tempo de maturação menor. O resultado são cervejas com forte presença de aromas e sabores provenientes da madeira, aliados ao frescor das cervejas mais jovens. Tais cervejas são conhecidas como Geuze.

FLANDERS RED ALE

As Flanders Red Ale são cervejas produzidas em duas etapas, sendo a primeira por métodos tradicionais, da brassagem à maturação em tanques convencionais. Porém, após estarem prontas na primeira etapa, elas são refermentadas e maturadas em barris de carvalho, os quais possuem uma flora natural de bactérias láticas, acéticas e leveduras selvagens. Essa flora contribue para que a cerveja se torne ácida e com aromas marcantes de frutas vermelhas, madeira, vinho do porto, frutas-passa, notas acéticas e láticas.

São cervejas muito complexas, bastante ácidas e muito refrescantes.

Uma variação desse estilo são as Oud Bruin, que têm um processo de produção semelhante às Flanders Red Ale, mas sem passar por refermentação e maturação em barris de carvalho. Sua acidez surge após o longo tempo de maturação que ela passa nos tanques, além dos vários meses de maturação depois de engarrafadas e é proveniente da pequena presença de bactérias residuais encontradas nesses recipientes.

Sour Beer Rodenbach Grand Cru.

Rodenbach Grand Cru. Sour Beer clássica do norte da Bélgica.
foto: Divulgação.

CERVEJAS SALGADAS – GOSE

As cervejas Gose são um estilo muito antigo que havia quase desaparecido, tendo sido produzido durante séculos em pequenas quantidades, com receitas familiares passadas de geração em geração.

São tradicionais da região de Leipzieg, cidade alemã onde as fontes de água são bastante salobras, o que deixa a cerveja um pouco salgada, o que é bem diferente do que estamos acostumados a beber por aqui.

Elas são produzidas com maltes de cevada e trigo, sendo que muitas delas levam a adição de lactobacilos antes de sua primeira fermentação por leveduras. Sendo assim, tal processo as torna ácidas.

É comum que muitas delas levem sementes de coentro em sua maturação, dando um toque mais temperado ao aroma e sabor final.

Gose Sour Beer

Uma Sour Beer famosa por também ser salgada.
foto: Divulgação.

BERLINER WEISSE

Consideradas o Champanhe do Norte por Napoleão Bonaparte, as Berliner Weisse são cervejas de trigo que recebem adição de lactobacilos antes de sua fermentação.

Quando as tropas de Napoleão invadiram Berlim e se depararam com um cenário onde a produção de vinho era escassa, a alternativa encontrada pelo seu exército para suprir as suas necessidades etílicas foi se entregar às cervejas locais. Como as Berliner Weisse eram as mais produzidas na região, elas eram as mais disponíveis para o consumo. Porém, seu sabor ácido não agradava a todos e para aliviar um pouco a acidez, muitos começaram a adicionar xaropes de frutas e ervas, o que acontece até hoje.

Hoje em dia, a produção dessas cervejas é protegida geograficamente, sendo que elas só podem ser produzidas em Berlim, por cervejarias certificadas. Na prática, vemos um cenário diferente disso, onde muitas cervejarias produzem e comercializam Berliner Weisse sem nenhum respeito a essa regra.

Cerveja de trigo Berliner Weisse Sour Beer

foto: Divulgação.

LICHTENHAINER

Outro estilo histórico cuja produção estava quase extinta, mas que voltou à tona atraindo vários entusiastas nos últimos anos.

As Lichtenhainer são tradicionais da região de Lichtenhain, na Alemanha central. Seu sabor é marcado por notas lácticas, com leve acidez, muito semelhante às notas encontradas nas Berliner Weisse. Outra característica marcante são os aromas e sabores de defumação, provenientes do uso de maltes defumados em sua fabricação.

São feitas de malte de cevada e trigo e são bastante refrescantes, pouco amargas e leves, o que proporciona a elas um alto drinkability, inclusive pela sua graduação alcoólica que raramente ultrapassa os 4,5% ABV.

FRUIT BEER

Fruit Beer não é um estilo propriamente dito, mas uma categoria onde se encontram todas as cervejas que levam fruta em sua produção.

Muitas dessas cervejas nem mesmo são ácidas, mas é bem comum ver pessoas associando Fruit Beer às Sour Beer. Talvez isso aconteça pelo fato de muitas Lambic serem comercializadas como Fruit Beer, uma vez que existem vários rótulos que recebem adição de frutas como cereja, morango e framboesa, sendo que muitas dessas acabam apresentando um leve dulçor em seu sabor.

Algumas Fruit Beer nem mesmo são doces ou apresentam qualquer acidez, sendo extremamente secas, como é o caso da Banana Bread da cervejaria Wells.

Outras como as cervejas da linha Sour Me Not da brasileira Way Beer são bastante ácidas. Existem três rótulos dessa linha, cada um com adição de uma fruta diferente (acerola, morango e graviola). Sua acidez se deve principalmente pela adição de bactérias láticas na fermentação, porém, as próprias frutas contribuem para tal, apesar destas não conferirem nenhum dulçor às cervejas.

Sour Beer Sour me not

foto: Divulgação.

Contudo, existem Fruit Beers que têm sua acidez derivada apenas da presença de frutas ácidas, sem que haja nenhuma interferência de bactérias na fermentação, ou adição de algum outro ingrediente ácido. Esse é o caso da Julieta da cervejaria mineira Backer, que leva morangos em sua receita, conferindo à cerveja um equilíbrio entre o dulçor da fruta, o dulçor do malte e sua acidez.


Cerveja, Curiosidades

Como a Guinness influenciou a 2ª Guerra Mundial

2 de março de 2016
Entre uma batalha e outra, os combatentes ingleses bebiam a cerveja

A cervejaria irlandesa foi envolvida e salvou o país de um dos maiores conflitos do mundo 

Nascida em 1759, em Dublin na Irlanda, a cerveja surgiu após  Arthur Guinness, o fundador da marca, alugar uma fábrica no centro da cidade. Porém, pouca gente sabe como a cerveja salvou o país durante a  Segunda Guerra Mundial. Na época, a marca tinha 152 anos de existência e a bebida já era apreciada por grande parte da Europa.

Durante o conflito, a Irlanda decidiu permanecer neutra e não entrar na briga que atormentava o resto do mundo e acontecia praticamente no quintal do país.  Todas as atenções estavam voltadas para disputa entre Aliados (França, Grã- Bretanha, China, Estados Unidos e União Soviética) e Potências do Eixo ( Alemanha, Japão e Itália). Contudo, entre 1940 e 1941, a Inglaterra não ficou contente com a falta de posicionamento do país da Europa Continental. Apesar de não enviar os soldados para o embate, a Irlanda mandava a amada cerveja para as tropas.

Claro, que o buraco era mais embaixo, a Inglaterra tinha o objetivo de forçar o posicionamento para ter acesso aos portos irlandeses, para conseguir essa façanha, o primeiro ministro do Reino Unido, Winston Churchill cortou o envio de suprimentos ao país. Foram reduzidas para zero, mais de seis milhões de toneladas de ração para animais, 100 mil toneladas de fertilizantes e até a gasolina. Enquanto, a população estava com fome, a economia continuava em recessão e a Alemanha atacava.

A única coisa que a Irlanda tinha estocado no meio deste cenário caótico era a emblemática Guinness. Para combater à crise da falta de energia e alimentos, o governo restringiu o uso de malte de cevada e proibiu a exportação de cerveja. O trigo era utilizado para a produção de pães para os pobres.

Ao cortar a bebida, o pequeno país europeu interferiu diretamente na guerra, porque a cerveja era responsável por sanar a sede e elevar a autoestima dos combatentes ingleses.  Logo, os soldados começaram a reclamar a falta da Guinness, especificamente e a confusão começou.  Para conter a crise, os governos britânicos e irlandês fizeram um acordo às presas, onde a Grã- Bretanha forneceria trigo em troca de Guinness.

Com esse truque na manga, a Irlanda conseguiu retomar a importação de carvão, após alegar insuficiência de energia para produção da cerveja e assim, a dinâmica de negociação se repetiu.  E com o barril de cerveja na cartola, a Irlanda manteve-se neutra até o final da Segunda Guerra Mundial, conseguiu alimentar a sua população e continuou a produção da nossa queridinha, Guinness.

Sobre a Guinness

A cervejaria surgiu em 1759, quando Arthur Guinness alugou um galpão no centro de Dublin, na Irlanda, no começo a marca produzia cerveja nos estilos Ale e Porter, com o tempo parou de produzir a Ale. Atualmente, a cerveja é produzida em 60 países e comercializada em 120 nacionalidades. É uma das bebidas mais consumidas do mundo, está presente em 170 mil pubs, cerca de 10 milhões de pints são consumidos diariamente.

A cervejaria é considerada a sexta maior do mundo e  também  detentora das marcas  Harp, Kilkenny, Red Strio, Kaliber  e participante das fusões com cervejarias locais ao redor do mundo.

Referência: A História Bizarra da Segunda Guerra Mundial, Otávio Cohen, 2015.


Cerveja, Curiosidades, E-commerce, Mercado, Price Beer

9 erros na hora de comprar cervejas artesanais

21 de fevereiro de 2016
homembebendo

O mercado da cerveja artesanal cresce cada vez mais rápido,  isso significa mais e mais pessoas querem fazer parte desse delicioso movimento. Entretanto, o pouco conhecimento relacionado a bebida, pode confundir e intimidar o consumidor. Isso pode gerar erros na hora de escolher o rótulo. Aqui estão os nove mais comuns:

1) Comprar apenas IPAs
India Pale Ale é definitivamente o estilo de cerveja artesanal que colocou a categoria no mapa, mas hoje em dia há uma enorme gama de outras deliciosas opções de cervejas artesanais por aí, portanto, experimente o que há mundo afora. Não seja a pessoa que simplesmente diz “Eu vou levar qualquer IPA que tiver”.

2) Focar em rótulos com prêmios e medalhas
Nem sempre uma cerveja premiada é a melhor daquele estilo ou vai ser a melhor para você. Às vezes uma ótima cerveja não participou de concurso nenhum por opção da própria cervejaria. Ou ainda por não se enquadrar perfeitamente nos guias de estilos. Várias cervejas e cervejarias pelo mundo não se importam muito com ganhar títulos em concursos, dê uma chance a elas também.

3) Pensar que cerveja em lata é de qualidade inferio
As cervejas artesanais estão adotando as latas e você também deveria. Enquanto grande parte das grandes cervejarias enraizaram nas nossas cabeças que lata significa baixa qualidade, é, na verdade, um dos melhores recipientes para proteger e preservar sua cerveja. Enquanto uma garrafa de vidro permite a entrada de luz que pode prejudicar a cerveja, na lata não é possível, além de ser mais fácil de transportar e abrir – um bônus!

4) Escolher coisas que são familiares
Você deve ter um ou duas marcas de cerveja artesanal que você gosta, porém, assim como no caso das IPAs, diversifique um pouco. Se você está em uma cidade diferente, prove a cerveja que é popular na região. Experimente. Mesmo sendo completamente normal você ter marcas que você gosta mais que outras, de vez em quando, tente algo novo.

5) Ficar com medo de perguntar
Algumas pessoas preferem não pedir sugestão ou conselho de alguém que conheça mais de cerveja por vergonha, por não querer passar a imagem de que não sabe escolher a própria cerveja ou até ser taxado de iniciante ou ignorante. Diversos bares e lojas de cervejas artesanais contam com sommeliers à disposição ou, pelo menos, alguém com certa experiência que possa ajudar. Não se intimide e pergunte. O sommelier, assim que souber do que você gosta, certamente irá te indicar diversos rótulos e estilos que você poderá gostar. Até uma consulta em algum bom site de referência pelo seu celular já é uma ajuda enorme, e esses lugares geralmente disponibilizam wifi, você nem precisa gastar dados do seu plano.

6) Não pedir para provar a cerveja
Se você está em um bar ou loja de cervejas artesanais que vende growlers, você está vacilando se não pedir uma prova antes. Enquanto a pessoa atrás do balcão, provavelmente ,tem um grande conhecimento sobre a cerveja, você tem total direito a provar a cerveja antes de compra-la.Então, não se intimide em pedir. Grande parte dos lugares estará mais que disposto a providenciar uma amostra a você.

7) Pensar que assim que uma cervejaria artesanal é comprada por uma macro cervejaria, ela não é mais bebível
Nós entendemos. Tecnicamente uma vez que uma cervejaria é comprada por uma grande corporação, a cerveja não é mais artesanal, mas se você se recusar a beber uma cerveja simplesmente porque ela “se vendeu”, você vai perder algumas ótimas cervejas. De fato que a Wäls foi vendida para a Ambev, mas eles ainda fazem uma das melhores Dubbels que há por aí, então, não prová-la se você é fã de Dubbel seria um engano. O mesmo vale para Colorado, Ballast Point ou Goose Island; essas cervejarias continuam fazendo boas cervejas, então, se você é um fã de cerveja, as aprecie.

8) Evitar garrafas maiores
Garrafas maiores – cervejas engarrafadas em garrafas do tamanho de vinho ou maiores – geralmente são precificadas mais próximas dos preços dos vinhos, e isso pode soar bastante inverso à cerveja, mas você tem que dar uma chance pelo menos alguns rótulos. Em sua maioria, essas cervejas são as mais geeks e experimentais que uma cervejaria faz, e prová-las pode abrir um novo mundo de sabores. Por outro lado, também tem as linhas “para tomar com os amigos” de cervejas menos complexas, porém muito bem feitas como as garrafas de 1 litro da cervejaria Tupiniquim. Ótimas para uma boa comemoração e iguais as envasadas em recipientes menores. Seja um tipo ou outro, mande ver e pegue uma ou duas garrafas da próxima vez que reunir os amigos.

9) Ficar com medo de dizer que não gosta de algo
Só porque a cerveja é artesanal, não significa que você tenha que gostar. O produto trouxe um movimento que envolveu  pessoas muito apaixonadas pela bebidas,  às vezes, tanto amor  pode tornar as coisas mais difíceis para que outros possam apresentar pontos de vista divergentes. O mais importante quando se trata de cerveja artesanal é beber o que você gosta. O novo cenário aumentou a quantidade de marcas e rótulos disponíveis. Só nos cabe abraçar essa pluralidade de sabores, estilos e aromas e beber o que gostamos.

Fonte: Bom de Copo